Texto dedicado
ÀQUELES QUE AMAM DEMAIS...
Tem pessoas que acreditam que por darem o que consideram ser o seu melhor merecem receber o que desejam.
Adultos que amam assim procuram reproduzir em seus relacionamentos essa relação entre produção e satisfação: “Eu te dou carinho, afeto, atenção, presentes, sexo; te levo para passear; te dou liberdade... Como você pode não estar satisfeita!?! Como você pode não reconhecer que sou o melhor para você!?!”
Tais pessoas se traduzem como grandes amantes incompreendidos, homens e mulheres que amam demais, que se doam completamente e nunca encontram alguém capaz de corresponder à nobreza de sua alma.
Na sua concepção narcisista da realidade não conseguem perceber que o que consideram ser o seu melhor não é necessariamente satisfatório para o outro ou o que o que pretendem dar, como liberdade e prazer, simplesmente não lhes pertence.
Em verdade, não se relacionam de fato, pois relacionar-se envolve perceber o outro e ser percebido por ele e não simplesmente fazer do outro o depósito de seus dejetos afetivos, de suas dores e angustias, dos seus excrementos emocionais enfim e traduzir isso como: “Eu sempre te dei o meu melhor.”
Amar não é fazer a coisa certa.
Amar não é buscar em alguém ao preenchimento de seu vazio interior.
Amar é compartilhar completude.



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